Pilates x Retorno da forma física x Puerpério

Por Valeria Mauriz

Atualmente nós temos vivenciado uma procura pelo método Pilates durante a Gestação, porém o PUERPÉRIO, ou PÓS-PARTO também é um momento muito significativo e importante na vida de toda mulher.

Após 9 meses de mudanças profundas e de um evento crucial que é o Parto, a mulher se depara com todo um contexto de transformações físicas, emocionais, sócias e psicológicas que a leva a buscar um lugar “seguro” ou de reconhecimento de si. Nessa busca ela vai de encontro ao retorno da atividade física. Nós sabemos que o retorno gradual da atividade física pode minimizar os efeitos de sintomas no pós-parto como dor no segmento lombo-pélvico, dor perineal, incontinência urinária e fecal, disfunções de músculos do assoalho pélvico e abdominais e o método Pilates tem sido indicado pela classe médica por seus inúmeros benefícios, porém vem o questionamento:

  1.  A puérpera já está preparada para retornar a uma prática de Pilates e como será essa prática?
  2.  O instrutor de Pilates tem o conhecimento das mudanças ocorridas e como isso afetará o princípio do Power House?
  3. Como estruturar uma aula que seja pertinente as necessidades da puérpera?

Vamos focar nessas três questões!

PUERPÉRIO

Definição:

Puerpério é o período de readaptação do organismo alterado pela gestação, o qual tem início com a expulsão da placenta e a duração de 6 semanas (Hentschel e Brietzke 2006, p.306)

O puerpério ou pós-parto é o período cronologicamente variável do ciclo gravídico-puerperal em que ocorre a involução das modificações locais e sistêmicas decorrentes da gestação e recuperação do parto. Ele inicia logo após a expulsão da placenta e das membranas ovulares e se estende até o retorno das condições normais pré-gravídicas, durando em torno de 6 a 8 semanas (Zampieri, 2007, p.435).

O período puerperal (puerpério, pós-parto, sobre-parto) inicia-se ao final do parto, prolonga-se por 6 a 8 semanas e termina quando todos os órgãos da reprodução tenham retornado ao estado não gravídico. (Baracho, 2012, p. 156)

Divisão:
Pós-Parto Imediato: 1 ao 10 dia
Pós-Parto Tardio: 11 ao 40 dia/ até 45 dias
Pós-Parto Remoto: a partir do 41 dia / a partir de 45 dias

ALTERAÇÕES NO PÓS-PARTO X POWER HOUSE

Apesar de o estudo da anatomia e fisiologia ser segmentado para uma melhor compreensão e aprofundamento, cada vez mais fica evidente que o corpo trabalha como um todo, ou seja, como um único sistema onde qualquer alteração repercute em eventos em séries.

A puérpera vai ter todos os seus sistemas alterados.

Sistema reprodutivo
Útero = involução uterina, ou seja, retorno a cavidade pélvica e o peso retorna a condições pré-gravídicas de 60 g entre 6 a 8 semanas. Vai estar afetado pela paridade, tipo de parto e amamentação.

Sistema respiratório
Diafragma torácico = deslocado superiormente e retificado volta aos poucos ao seu formato de cúpula. Esse retorno junto com o reposicionamento das vísceras abdominais e a descompressão do estômago, que promovem um melhor esvaziamento gástrico, auxiliam a volta do padrão respiratório.

Sistema urinário
A bexiga teve a capacidade aumentada, distensão excessiva e esvaziamento incompleto. A analgesia somada aos traumas do trabalho de parto e a sondas podem propiciar infecções urinárias. Alterações morfológicas como dilatação da pelve renal, da uretra e dos ureteres e relaxamento vesical podem persistir por 3 meses após o parto. As alterações morfológicas junto com a embebição hormonal e a alteração dos músculos do assoalho pélvico podem ocasionar a Incontinência Urinária.

Sistema circulatório
A pressão arterial que diminui durante a gestação normaliza-se. A diminuição da compressão da veia cava pelo útero faz aumentar o retorno venoso, diminuindo o edema de membros inferiores, as varizes vulvares e de pernas.

Sistema digestório
Deixa de existir a pressão sobre o aparelho digestivo com a ausência do feto na cavidade abdominal, permitindo o seu posicionamento e o retorno a mobilidade gastrointestinal, porém a analgesia, a flacidez da musculatura abdominal e do assoalho pélvico, as dores cicatrizais devido a via de parto podem retardar esse processo e gerar constipação intestinal.

Sistema endócrino
Após o parto há diminuição dos hormônios produzidos pela placenta = Estrogênio, Progesterona e Hormônio lactogênio-placentário. Há diminuição também do volume tireoidiano. Por conta da amamentação ha aumento dos níveis de prolactina e ocitocina. O novo equilíbrio hormonal vai influenciar tanto aspecto somático quanto emocional na mulher.

Sistema músculo-esquelético
Os tecidos musculares ainda estão sob efeito hormonal, ocorrendo uma remodelação tecidual com diminuição de tônus da fibra muscular e aumento de flexibilidade e extensibilidade ligamentar afetando a estabilidade de importantes segmentos. Além disso, a anteverão pélvica que ocorreu durante a gestação promoveu a mudança dos ângulos de inserção dos músculos abdominais e pélvicos que resultaram em distensão excessiva com prejuízos no vetor de força e diminuição da contração, podendo levar a instabilidade lombo-pélvica, diminuição da capacidade de gerenciar a postura, diástase da musculatura abdominal e incontinência urinária.

POWER HOUSE

Usando a analogia da “Casa de Força”, iremos encontrar as seguintes alterações no Pós-Parto:

TETO = Diafragma torácico: empurrado para cima por conta do crescimento uterino, ele irá retornar ao seu formato de cúpula, porém como teve sua capacidade funcional diminuída durante a gestação deveremos estimular novamente o ritmo respiratório torácico-costal

CHÃO = Diafragma pélvico: influenciado pelo sistema endócrino (estrogênio, progesterona e relaxina) que propiciou sua extensibilidade e diminuição do vetor de força junto com a alteração dos pontos de inserção musculares com o aumento da anteverão da pelve e aumento da pressão intra-abdominal com o ganho de peso, ele também pode ter sofrido impacto pela via de parto que pode ter ocasionado lacerações e/ou suturas. A musculatura do assoalho pélvico se encontra com suas funções alteradas: reflexo, controle, coordenação, tônus resistência e força e essas funções vão retornando gradativamente no pós-parto, sendo que o retorno da força é o mais tardio.

PAREDES = Musculaturas abdominais foram influenciadas pela alteração do centro de gravidade e distendidas para possibilitar o crescimento uterino, por conta disso estarão com tônus e força alterados no Pós-Parto ocasionando déficit funcional. Além disso pode ter ocorrido uma separação dos feixes do músculo reto abdominal chamada Diástase dos músculos reto abdominais (DMRA) que é causada pela perda de fixação do músculo reto abdominal em suas respectivas bainhas. Também temos que levar em conta que num parto cirúrgico a musculatura abdominal sofreu um impacto de uma sutura levando a um processo cicatricial que pode interferir na recuperação dessa musculatura.

EIXO CENTRAL = Multifidus: os paravertebrais como um todo estiveram sobrecarregados. Durante a gestação e normalmente espasmados, com diminuição da atuação da musculatura abdominal para sustentar a postura por conta da distensão dos mesmos para acompanhar o crescimento uterino. Dependendo da via de parto, podemos encontrar uma postura antálgica, sobrecarregando ainda mais os paravertebrais e a cadeia posterior como um todo

AULA DE PILATES NO PUERPÉRIO

Encontramos na nossa sociedade uma compreensão muito superficial do que é o PUERPÉRIO. Tanto a puérpera quer retornar a sua “antiga forma” com uma rapidez que não é fisiológica, como as pessoas ao redor (família, amigos, trabalho, etc) cobram esse retorno. Isso leva a mulher a buscar exercícios físicos que podem aumentar a fragilidade das estruturas que já estão sobrecarregadas pela gestação e o parto e o pior: levar a disfunções.

Quando o instrutor de Pilates recebe na sua sala de aula uma puérpera ele normalmente a trata como uma cliente convencional, não compreende que essa puérpera faz parte de um GRUPO ESPECIAL, como uma gestante ou um idoso, e muitas vezes junta o objetivo da mulher que normalmente é retornar a sua antiga forma física, com o instrutor que quer realizar esse objetivo e não está ciente das fragilidades que o Puerpério traz. Nesse caso é fundamental uma boa anamnese com a historia pregressa dessa mulher, principalmente da gestação e parto para poder traçar uma estratégia de aula compatível.

O método Pilates é excelente para o retorno do Centro de Gravidade no puerpério e ajuda a diminuir as tensões que uma nova mãe enfrenta com a amamentação, cansaço, dores nas costas por carregar bebê, carrinho, etc, MAS ele precisa ser bem aplicado e para isso nós precisamos de profissionais competentes para trabalharem com essa mulher nesse momento tão desafiante.


Valéria Mauriz é bailarina e fisioterapeuta. Tem a certificação em Pilates pela POLESTAR EDUCATION. Estudou nas mais conhecidas linhas de Pilates como: CORE CONNECTION, ROMANA KRYZANOWSKA PILATES, CLASSIC PILATES, MICHAEL MILLER PILATES, entre outras. Tem desenvolvido sua pesquisa em Pilates na Saúde da Mulher, sendo que já escreveu sobre Assoalho Pélvico no Climatério e lançou em 2013 o livro “Pilates na Gestação – Redescobrindo seu Corpo no pré e no pós parto. É Doula formada pelo curso “Ecologia do Parto ” de Heloisa Lessa e do renomado obstetra francês Michel Odent, que introduziu o parto na água nos hospitais franceses na década de 60 e que escreveu vários livros sobre a influência do parto na vida humana.

Atende gestantes e acompanha partos junto com a obstetra Maria Fernanda Couto do Rio de Janeiro.
Formada em Ginástica Hipopressiva, atua junto a mulheres na Recuperação do Pós Parto
Ministra o curso de Pilates na Gestação e no Pós Parto em várias cidades do Brasil como RJ, SP. Goiânia entre outras.

Pré treinadora em GYROTONIC®

É também Master trainer do método GYROKINESIS® podendo ministrar curso desta metodologia em qualquer lugar do mundo.

Publicado originalmente em https://www.maisquepilates.com.br/o-instrutor-de-pilates/

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